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domingo, 1 de março de 2015

Escrever e coçar: é só começar (será?)

por Cleuber Marques da Silva

Para quem gosta dos livros, eles acabam se tornando um objeto de desejo. E esta afimação, um tanto óbvia, toca também a questão da autoria. Lemos tanto, estamos tão envolvidos com o mundo dos textos e dos autores, que em algum momento de nossa tajetória como leitores temos um pensamento – posto em execução ou deixado de lado: e se eu escrevesse também?

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Partindo de uma frase de efeito, atribuída a José Saramago, “Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não.”, muitos de nós tentamos fazê-lo e nos deparamos com dificuldades imensas. Não é fácil escrever algo bom o bastante para ser publicável; é uma tarefa inglória encontrar alguém que deseje realmente publicar a nossa preciosa obra; a distribuição, no caso de partirmos para a edição de autor, é extremamente complicada.

Nos Estados Unidos enxameiam os cursos de escrita criativa, normalmente vinculados a uma programação universitária de oficinas de creative writings; são frequentemente disponibilizados sob o nome de ateliers d’éscritures na França e talleres na Espanha e no restante da América Latina. No Brasil, são ainda um fenômeno incipiente, mas em expansão.

Resultado de imagem para escritorasNo intuito de facilitar um pouco para quem tenha curiosidade ou disciplina autodidata, resolvi elaborar uma lista (subjetiva e não exaustiva, claro) para ajudar quem se interesse pelo assunto. Existem livros excelentes sobre a matéria, outros nem tão bons assim – de qualquer forma, resistem às perguntas: escrever não seria um dom? é possível ensinar a alguém o ofício da escrita?

 

São essas mesmas perguntas que se coloca Francine Prose, ela mesma autora de um desses manuais. Aqui, peço licença para dar um depoimento de minha própria experiência, embora não tenha nada publicado. É possível melhorar muito um texto. Existem, sim, técnicas de escrita. Os textos não podem ser produzidos de qualquer modo, sem coerência/coesão, verossimilhança, sem uma estruturação que pode ou não ser um planejamento escrito – muitas vezes, encontramos algum depoimento de alguém que diz não planejar nada, “deixa a história se desenrolar por si” ou, então, “deixa os personagens ganharem vida e contarem sua própria história”. Isso é um tanto impressionista, na minha modesta opinião. Por mais que se creia num “destino literariamente determinista”, o autor terá de fazer escolhas sobre como conduzir seu enredo, que direção deverá dar a ele; por mais que pareçam reais os personagens criados, esses seres de papel não têm vida própria. Entretanto, inegavelmente, quem lê muito e – sobretudo quem lê com qualidade – guarda na memória conhecimentos, modelos, um personagem magnificamente criado aqui, um enredo genialmente concatenado ali, que depois serão aproveitados em sua própria escritura. Ninguém pode ser um locutor bíblico, somente relacionado com objetos Resultado de imagem para escritoresvirgens, ainda não nomeados, como enunciou Mikhail Bakhtin, estudioso russo. Nesse sentido, todos nós “aproveitamos” algo do que já lemos, tenhamos ou não consciência disso.

 

 

Eis a lista:

1. Entre Nós, de Philip Roth. Editora Companhia das Letras. (há versão digital na Saraiva)

2. A Arte De Escrever, de Arthur Schopenhauer. Editora L&PM. (livro de bolso)

3. Sobre O Ofício De Escritor, de Arthur Schopenhauer. Editora Martins Fontes.

4. Voz Do Autor, de Al Alvarez. Editora Civilização Brasileira.

5. Vida De Escritor, de Gay Talese. Editora Companhia das Letras. (há versão digital na Saraiva).

6. O Escritor E Sua Missão, de Thomas Mann. Editora Zahar. (há versão digital na Saraiva).

7. Escrita Criativa, de Renata di Nizo. Editora Summus. (há versão digital na Saraiva).

8. Perca O Medo De Escrever, de Inez Sautchuck. Editora Saraiva. (há versão digital na Saraiva).

9. Ler, Pensar E Escrever, de Gabriel Perissé. Editora Saraiva. (há versão digital na Saraiva).

10. A Arte Das Palavras, de Gabriel Perissé. Editora Saraiva. (há versão digital na Saraiva)

11. Como Escrever Um Romance, de Miguel de Unamuno. Editora É Realizações.

12. A Arte Do Romance, de Milan Kundera. Editora Companhia de Bolso.

13. A Arte Da Ficção, de David Lodge. L&PM Editores.

14. Oficina De Escritores, de Stephen Koch. Editora Martins Fontes.

15. Você Já Pensou Em Escrever Um Livro?, de Sonia Belloto. Editora Fábrica de Textos (selo da Summus).

16. A Oficina Do Escritor, de Nelson de Oliveira. Ateliê Editorial.

17. Vencendo O Desafio De Escrever Um Romance, de Ryoki Inoue. Summus Editorial.

18. Oficina De Textos, de Daniel Cassany. Editora Artmed.

19. Escrevendo Com A Alma, de Natalie Goldberg. Editora Martins Fontes.

20. O Zen E A Arte Da Escrita, de Ray Bradbury. Leya Brasil Editora.

21. Para Ler Como Um Escritor, de Francine Prose. Editora Zahar.

Essa outra pequena lista é de livros de Alberto Manguel, conhecido por seus livros que falam exatamente sobre livros:

1. Os Livros e Os Dias – Um ano de leituras prazerosas. Editora Companhia das Letras.

2. À Mesa com O Chapeleiro Maluco. Editora Companhia das Letras.

3. A Biblioteca à Noite. Editora Companhia das Letras.

4. Todos Os Homens São Mentirosos. Editora Companhia das Letras.

5. A Ilíada e A Odisséia de Homero (uma biografia). Editora Zahar.

6. No Bosque do Espelho. Editora Companhia das Letras. (há versão digital na Saraiva)

7. Stevenson Sob As Palmeiras. Editora Companhia das Letras.

8. Dicionário de Lugares Imaginários. Editora Companhia das Letras.

9. Uma História da Leitura. Editora Companhia das Letras.

Outra obra que pode ajudar bastante, principalmente na criação de lugares fictícios é História das Terras e Lugares Lendários, de Umberto Eco.

 

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