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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Notas de Viagem 3: Ainda Paris

Como qualquer das grandes metrópoles, Paris vive dificuldades de trânsito. Apesar de bem servida de sistema de metrôs, há, de acordo com o guia turístico que nos acompanhou, três carros para cada grupo de 4 pessoas. São comuns os engarrafamentos nas grandes artérias parisienses. Alfa Romeos, Peugeots, Renaults, Mercedes Benz, motocicletas, Smarts, Toyotas, Citroëns, etc. disputam lugar no caos.

Há também um sistema de transporte por bicicletas, o Vélo, em que “magrelas” públicas podem ser alugadas, pagando-se o direito de usá-las por meio de um parquímetro. O ciclista pode deixá-la em qualquer estacionamento próprio, para que outro usuário possa reutilizá-la.

Fazia um frio anormal durante os quatro dias de verão passados na capital gala. Ouvíamos dizer, na Itália tudo seria diferente: lá, as temperaturas estavam altas, com clima seco.

Passear por Paris à noite é uma experiência e tanto; todos os prédios importantes são iluminados, emprestando à cidade a alcunha de cidade-luz. A partir das 23 horas, a Tour Eiffel é iluminada também, enquanto do seu topo um poderoso holofote varre os céus. Durante o tour noturno, fomos avisados para tomarmos cuidado com as bolsas e bolsos, pois por todos os lados existem pickpockets, ou batedores de carteira.

Durante o dia, fomos em visita à Catedral de Notre Dame. Exemplar do genuíno gótico, com seus belos arcobotantes, seus pórticos em camadas de baixo relevo, em formato ogivais, Notre Dame é uma história à parte na história da capital. Arcobotantes são arcos que, partindo de estruturas que funcionam como contrafortes, dão sustentação às enormes paredes externas do altar-mor (veja na foto ao lado). É uma construção enorme, com um frontispício maior ainda, do qual se destacam as torres dos campanários. Altíssimas agulhas estão apontadas para o céu, como é de praxe no estilo gótico. Do alto dos seus beirais, grotescos gárgulas e quimeras nos fitam com olhares intimidadores.

Ali, lembrei-me do escritor francês Victor Hugo, em sua obra O Corcunda de Notre Dame. Lembrar Hugo na cidade-luz é sempre apropriado; seu maior romance, Les Misérables (Os Miseráveis, em português) se passa nas ruas de Paris, durante a Revolução Francesa. O bairro boêmio de Montmartre, onde, em 15/08/1534, na Capela de Saint-Denis nasceu a Companhia de Jesus (jesuítas), foi palco da intelectualidade parisiense. Uma dica: assista ao filme Meia-noite em Paris, de Woody Allen.

Com pesar, chegava a hora de abandonar Paris, por mais encantos tivesse, para darmos prosseguimento à viagem, embarcando em um avião de menor porte, rumo a Milão, na Itália. Quatro dias foram insuficientes para conhecermos a principal cidade francesa. Mentalmente, eu me prometia voltar a ela, quando possível. Os franceses podem ser mal-humorados, mas sua cidade é encantadora. A História trafega pelas ruas, envolve seus monumentos, nos fala de momentos importantes para a ocidentalidade.

Até mesmo no distante Brasil, Minas Gerais, antiga Vila Rica, a influência do espírito da Revolução Francesa se fez presente, nos ideais libertários da Inconfidência Mineira. Ademais, França e Brasil mantiveram, historicamente, fortes laços: nunca é demais rememorar que Machado de Assis teve seus livros editados pela famosa Éditions Gallimard

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