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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Muito Prazer, Martha Medeiros!

Estou acabando de ler o Feliz Por Nada, de Martha Medeiros. Contrariamente ao que costumo fazer ao resenhar um livro – resenho-o normalmente após encerrar a leitura –, com esse estou fazendo diferente. Não conhecia o trabalho da escritora o que, se por um lado denuncia minha ignorância de uma autora conhecida, por ser colunista dos jornais Zero Hora e O Globo, por outro lado me deixa mais à vontade para os comentários a respeito dela.

Muitas vezes, nos deixamos levar por um conceito já firmado sobre algum autor e sentimos dificuldade em, por exemplo, sermos isentos o suficiente para dizer: “olha, esse autor é muito bom, mas especialmente esse livro não está à altura dele”.

Martha Medeiros escreve muito bem. Tem um estilo leve, seus textos são gostosos de ler. Nessas pouco mais de oitenta crônicas que compõem o livro passiei por temas variados. A obra já está na 36ª edição. E na verdade, ela nem é minha; minha esposa  ganhou-a de uma aluna, com uma singela dedicatória e eu me apossei dela.

Há comentários de coisas do dia a dia de uma mulher, dona de casa, mãe, jornalista e escritora literária. Todas essas vivências não excludentes contribuem nitidamente para os textos e temas de Martha. Comenta livros lidos, como não podia deixar de ser: o bom escritor é antes de tudo, um bom leitor. Tem até uma referência ao A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, que aguarda pacientemente na fila das minhas leituras programadas.

A crônica é, talvez, o mais generoso dos gêneros textuais; nela, pode-se criar um texto mais dissertativo, poético, casual, etc. Isso faz parecer fácil, não? Não é bem assim. Como também escrevo crônicas, sei: encontrar o tom certo, em um texto, de natureza curto e leve pode ser complicado. Já se disse, em questões textuais existe o efeito de simplicidade, arduamente trabalhado.

Vale transcrever um pequeno trecho da crônica que dá nome ao livro e que está reproduzido na 4ª capa:

“A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.”

Uma bela e simples reflexão, não? Se você é do tipo que não se dá trégua, vá a uma livraria próxima, compre o Feliz Por Nada, de Martha Medeiros e o leia com proveito!

Martha Medeiros. Feliz Por Nada. Editora L&PM, 211 páginas, 36ª edição, 2011.

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