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domingo, 27 de julho de 2014

Existiu Outra Humanidade, de J. J. Benítez

Em Pamplona, Espanha, nasceu J. J. Benítez, em 1946. Formou-se na Universidade de Navarra; aos 26 anos, começou a fazer reportagens investigativas, pricipalmente sobre temas de mistério para a humanidade. Mais de cinquenta livros publicados, milhares de artigos e diversos documentários televisivos. É autor da série Cavalo de Troia, agora em 10 volumes, três deles resenhados neste blog.

Existiu outra humanidade é um livro polêmico. Mais um do autor. Depois de ter lido quatro livros da saga Cavalo de Troia (em breve, posto a resenha do quarto volume), nada mais me surpreende em termos de temas incandescentes do escritor espanhol. O presente livro não é um romance, nem mesmo um texto romanceado. Filia-se ao gênero textual reportagem.

Simplesmente, Benítez, dessa vez, destroi vários estudos consagrados, o suficiente para – calculo – os especistas dos assuntos envolvidos preferirem ver o diabo em pessoa pela frente.

J. J. havia sido enviado pelo jornal em que trabalhava, em 1974, ao Peru e teve a oportunidade de conhecer o Dr. Javier Cabrera Darquea e sua famosa biblioteca lítica (de pedra) e os desconcertantes segredos guardados nela. O museu particular fica em Ica e as pedras foram encontradas, em grande parte, no deserto de Ocucaje. Uma coleção de mais de onze mil pedras de variados tamanhos, contando o passado remoto da humanidade chamada por Cabrera de gliptolítica. Prepare-se o leitor para a série de revelações decifradas pelo Dr. Javier e divulgadas pelo repórter espanhol.

 De acordo com o livro, existiu uma humanidade, perdida na imemória do tempo e que agora ressucita pelas pedras, muito mais avançada em determinados pontos que a nossa. As pedras contêm vários desenhos contando a história de uma civilização que conhecia e praticava cirurgias complexas, como cesariana, transplantes de coração, de cérebro, contornados os problemas de rejeição do órgão implantado no corpo do receptor.

Dominavam a aviação, com um sistema de propulsão completamente diferente, sem combustíveis propelentes, podiam viajar pelo espaço cósmico, conheciam a fundo astronomia, o universo, os ciclos do nosso planeta, a cartografia, a fotogrametria eram ciências sem mistérios para eles.

E tome mais desvendamentos polêmicos: aqueles seres conviveram com os grandes dinossauros, tiranossauros – em resumo, com toda aquela fauna mostruosa que vemos reconstituídas em museus paleontológicos. Entretanto, a ciência oficial nos diz que nunca se encontraram os homens e os grandes répteis do planeta, por viverem em épocas distintas. Daí o leitor pode avaliar, as teses do Dr. Javier e a divulgação de Benítez são tachadas  de loucuras.

As pedras foram compradas pelo médico peruano de um tal Basilio Uchuya, camponês analfabeto. Mais tarde, sob pressão policial (é crime alguém apropriar-se de material arqueológico e vendê-los), o camponês disse ter sido ele mesmo a esculpir as figuras.

Benítez compra a tese do Dr. Darquea e elabora vários argumentos para defender a veracidade do material pesquisado. O médico tem a seu favor alguns pareceres de instituições respeitadas sobre o exame de material enviado: a Universidade de Bonn, Alemanha, Universidade de Engenharia de Lima, e, inclusive, a Seção de Minas da empresa Hchschild.

As coisas não ficam apenas por aí. Em várias pedras, nos diz Benítez, foram encontradas a comprovação cartográfica da existência dos continentes perdidos de Atlântidada e de Mu. Tais continentes sempre foram contestados pela maior parte dos cientistas. A Terra já teve três luas(?) – a atual e mais duas, bem menores. Essas foram atraídas e despencaram sobre o planeta, gerando uma modificação sem precedentes. Mu afundou em parte, o restante foi empurrado e formou o que é hoje a Ásia, deixando em seu caminho alguns vestígios, como a Ilha de Páscoa, a Polinésia. Quanto à Atlântida (cuja existência é também relatada no livro Timeu e Crítias, de Platão), ela também teria uma parte perdida no mar e a outra, em deriva, indo formar grande parte do que atualmente conhecemos por Europa.

Aquela humanidade seria de outro filum, isto é, eram diferentes em muitos aspectos de nós, não obstante guardarem semelhanças com os humanos do nosso filum. Essa palavra latinizada, de origem grega, na taxonomia biológica caracteriza grandes grupos os quais partilham certos aspectos evolutivos em comum (Wikipédia, 28/07/2014). Discorre o Dr. Cabrera, quando tais homens gliptolíticos previram a catástrofe que se abateria sobre o planeta, fugiram para as Plêiades, um aglomerado de estrelas da Constelação do Touro.

Um mapa múndi muito antigo, o do navegador turco Piri Reis é mencionado como prova do conhecimento muito antigo, passado de geração a geração. Realmente, o documento de Piri foi encontrado em 9 de novembro de 1929, quando o diretor dos Museus Nacionais da Turquia, Malil Edhem, tabalhava no inventário e classificação dos documentos do museu Topkapi de Instambul.

Tudo isso parece um desvairio só. Entretanto, outros pequisadores têm se debruçado sobre material diferente, em diferentes locais, e chegado a conclusões de que, realmente, tivemos contato com outras civilizações extraterrestres em algum ponto do nosso passado. O respeitadíssimo pesquisador Robert Temple tem um alentado estudo sobre o assunto em seu livro O Mistério de Sirius.

Para terminar, consultei a Wikipédia na data da publicação desta resenha e obtive a informação de que o Dr. Javier Cabrera Darquea morreu em 30/12/2001, de câncer.

É ler o livro para se inteirar de muito mais segredos revelados, se você, leitor, se interessa por temas polêmicos, sobretudo aqueles referentes a um passado nebuloso de nossa história humana não oficial.

J. J. Benítez. Existiu outra humanidade. Editora Planeta. São Paulo, SP: 2012.

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