Caro leitor, se você tem 30 anos ou mais, já gostava de leitura, deve se lembrar do Círculo do Livro. Refresquemos a memória: era um sistema de “clube do livro”, que entregava os volumes selecionados para associados. Havia uma revista, com resumo de todos as obras disponíveis e o sócio tinha por obrigação pedir pelo menos um livro a cada trimestre.
Os vendedores iam a nossa casa fazer a entrega e levar o novo catálogo. Lugares onde não existiam vendedores eram atendidos por correio. O Círculo do Livro foi uma editora brasileira, com parceria firmada entre o Grupo Abril e a editora alemã Bertelsmann e inicou suas atividades em 1973.
Em 1982, as vendas alcançaram cinco milhões de exemplares vendidos; em 1983, eram oitocentos mil sócios espalhados pelo território brasileiro. Entretanto, na mesma década de 80, acontecia, além do apogeu da empresa, sua falência.
Eu era um dos associados. Recebia meus pedidos com regularidade. Eram livros bem-acabados, com capa dura e páginas costuradas, a preços bastante competitivos. Lembro-me que havia muitos outros associados ao Círculo do Livro na empresa onde eu trabalhava.
Não me importa o motivo pelo qual as atividades da editora foram encerradas. Dizem uns, pela má administração; outros dão como causa a retirada da Bertelsmann do negócio. Sinto pelo término do projeto, pois acredito que ele realmente contibuiu para a formação e manutenção de leitores brasileiros; mas, é claro, uma empresa não pode ser mantida por romantismo e, às vezes, nem o idealismo, por mais nobre, pode preservá-la. Foi uma pena. É uma pena.
Quando me emprestaram esse livro, preparei minha disciplina para ler algo sobre um personagem que não me atraía muito. Afinal, pensei, Zorro seria apenas um romance de capa e espada sobre o desgastado alter ego de Dom Diego de la Vega. Entretanto, lá no fundo do meu ser leitor, eu já me dizia aos ouvidos internos: “é um livro de Isabel Allende, provavelmente você vai encontrar mais do que espera”. Dito e feito. Mais uma vez, minha intuição não falhou. Aos poucos, vou me tornando um fã dessa escritora peruana de vivência chilena. Dela, já li Casa dos Espíritos, há muito tempo; Inés de Minha Alma e agora, Zorro. 