Foi realizada, em 2007, pesquisa promovida pela Instituto Pró-Livro, sobre como anda a formação de leitores no nosso país. A boa notícia é que, num país onde tradicionalmente se lê muito pouco, os índices estão melhorando. Muito embora a média de 4,7 livros por habitante/ano não levem ninguém ao entusiasmo, mostra o esforço de políticas públicas e, sobretudo, das escolas.
De acordo com os dados divulgados, 3,4 de leitores apurados, em média, referiram-se à escola como elemento incentivador da leitura. Apenas 1,3 dos leitores analisados diz ler por iniciativa própria (sem indicação da escola).
Ainda mais: as mulheres são mais leitoras em relação aos homens. Elas são 55% da média encontrada.
Em primeiro lugar, o livro mais lido pelo público brasileiro é a Bíblia (nenhuma surpresa); o segundo, "O Sítio do Picapau Amarelo" (esse sim, uma surpresa). No campo dos autores mais lidos, pela ordem publicada: Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.
Tal quadro, embora não configure algo de se entusiasmar, mostra um inequívoco trabalho positivo das escolas na formação de leitores. Num país que lê tão pouco é papel fundamental das escolas, de quaisquer níveis, facilitar e incentivar a leitura.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
sábado, 22 de novembro de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
Novidades...
Olá, amigos!
A cada experiência que vamos vivendo, agregamos valores. Este blog, tanto tempo parado, vai apresentar novidades. Algumas idéias novas, alguma noção a mais de como realmente funcionam estes importantes meios de comunicação.
Estou envolvido com um projeto sobre Ética na E. M. Presidente Raul Soares e, tão logo ele esteja um pouco mais amadurecido (provavelmente durante as férias de julho), farei uma sinopse.
Também estou pesquisando sobre a Síndrome de Burnout, mal que afeta profissionais liberais, notadamente os professores. Aguardem!
A cada experiência que vamos vivendo, agregamos valores. Este blog, tanto tempo parado, vai apresentar novidades. Algumas idéias novas, alguma noção a mais de como realmente funcionam estes importantes meios de comunicação.
Estou envolvido com um projeto sobre Ética na E. M. Presidente Raul Soares e, tão logo ele esteja um pouco mais amadurecido (provavelmente durante as férias de julho), farei uma sinopse.
Também estou pesquisando sobre a Síndrome de Burnout, mal que afeta profissionais liberais, notadamente os professores. Aguardem!
sábado, 5 de abril de 2008
Os Gêneros Se Entrecruzam
As especificidades dos gêneros são relativamente estáveis. Isso significa, por exemplo, que é possível apropriar-se de um determinado gênero para produzir um efeito totalmente inesperado. O texto a seguir é um exemplo.
Redação com estilo
Há quem considere escrever uma verdadeira tortura. Falar, tudo bem. Mas colocar no papel é uma árdua missão. Ter um bom texto é preocupação de muitos, principalmente no dia-a-dia do profissional. Para isso, nada melhor do que ler e treinar, sempre que possível. Abaixo, colocamos algumas regras que podem auxiliar na hora de produzir qualquer material.
1. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, conforme deve ser do conhecimento de V. Sª. Outrossim, tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
2. Frases com apenas uma palavra? Corta!
3. Evite abrev., etc.
4. Não abuse das citações. Como costumava dizer meu pai: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
5. Frases incompletas podem causar
6. A voz passiva deve ser evitada.
7. Seja mais ou menos específico.
8. Anule aliterações altamente abusivas.
9. As analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
10. Quem precisa de perguntas retóricas?
11. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes, isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
12. Não abuse das exclamações! Seu texto fica horrível! Sério!
13. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar repetitiva. A repetição vai fazer com que a palavra seja repetida.
14. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
15. Evite frases exageradamente longas, por dificultarem a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-las em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular pelo uso de frases mais curtas.
16. “Não esqueça as maiúsculas”, como já dizia carlos machado, meu professor lá do colégio santa ifigênia, em salvador, bahia.
17. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa porcaria.
18. Cuidado com a orthographia, para não estrupar a língua.
19. Seja seletivo no emprego de gíria, bicho, mesmo que sejam maneiras. Sacou, galera?
20. Nunca use siglas desconhecidas, conforme recomenda a A.G.O.P.
21. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
22. Seja incisivo e coerente. Ou talvez seja melhor não...
23. Exagerar é 100 bilhões de vezes pior do que a moderação.
24. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
25. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises, evitá-las-ei!”
26. Nunca generalize: generalizar é sempre um erro.
27. Estrangeirismos estão out, palavras de origem portuguesa estão in.
Internet, por e-mail, circulou em janeiro de 2002.
Redação com estilo
Há quem considere escrever uma verdadeira tortura. Falar, tudo bem. Mas colocar no papel é uma árdua missão. Ter um bom texto é preocupação de muitos, principalmente no dia-a-dia do profissional. Para isso, nada melhor do que ler e treinar, sempre que possível. Abaixo, colocamos algumas regras que podem auxiliar na hora de produzir qualquer material.
1. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, conforme deve ser do conhecimento de V. Sª. Outrossim, tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
2. Frases com apenas uma palavra? Corta!
3. Evite abrev., etc.
4. Não abuse das citações. Como costumava dizer meu pai: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
5. Frases incompletas podem causar
6. A voz passiva deve ser evitada.
7. Seja mais ou menos específico.
8. Anule aliterações altamente abusivas.
9. As analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
10. Quem precisa de perguntas retóricas?
11. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes, isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
12. Não abuse das exclamações! Seu texto fica horrível! Sério!
13. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar repetitiva. A repetição vai fazer com que a palavra seja repetida.
14. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
15. Evite frases exageradamente longas, por dificultarem a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-las em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular pelo uso de frases mais curtas.
16. “Não esqueça as maiúsculas”, como já dizia carlos machado, meu professor lá do colégio santa ifigênia, em salvador, bahia.
17. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa porcaria.
18. Cuidado com a orthographia, para não estrupar a língua.
19. Seja seletivo no emprego de gíria, bicho, mesmo que sejam maneiras. Sacou, galera?
20. Nunca use siglas desconhecidas, conforme recomenda a A.G.O.P.
21. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
22. Seja incisivo e coerente. Ou talvez seja melhor não...
23. Exagerar é 100 bilhões de vezes pior do que a moderação.
24. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
25. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises, evitá-las-ei!”
26. Nunca generalize: generalizar é sempre um erro.
27. Estrangeirismos estão out, palavras de origem portuguesa estão in.
Internet, por e-mail, circulou em janeiro de 2002.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Aprender
Cleuber Marques da Silva
Ao nascermos não trazemos um infalível plano de vôo. Nossos primeiros ensaios são, entre decolagens e batidas de asas, uma balança entre o caos e o equilíbrio: ensaiamos a ousadia, o risco, o aprender com os erros e, quando o fazemos, obedecemos a um impulso orientador da nossa própria evolução: temos de arriscar para evoluir. Já dizia o clarividente João Guimarães Rosa, “viver é perigoso: travessia.”
À medida que crescemos, entretanto, ensinam-nos a necessidade de um plano de vôo preciso, um campo de pouso claramente delimitado. Esquecem-se, todo pouso é um risco, mas tem de ser feito e voar sempre para o mesmo aeroporto é empobrecedor. Desta forma, gastamos um enorme esforço em tornar objetivo, claramente definido, algo que é impreciso e sem contornos muito claros, pela sua própria formatação: nossa própria vida.
Sim, porque a vida não se exercita pelos manuais nem se apreende inteiramente pelos exemplos dos outros. Se assim fosse, não seríamos mais que extensões de um ideal ou extensões de outras pessoas. Maravilhosamente, porém, não somos nem extensões de idéias (embora tentem nos impingir isso), nem extensões de outros (embora isso também tentem nos impor).
Mudamos à medida que vivemos. Hoje quero uma coisa, sou de um jeito; amanhã posso não querer a mesma coisa, pois a superei; posso não ser mais de um determinado jeito, pois aprendi com meus próprios erros, isto é, mudei minha perspectiva, vivi.
Ah, se economizássemos a energia usada em tentar controlar tudo e todos! Talvez nos enganássemos menos... Não temos que controlar tudo nem todos: ao procurar esse controle, paramos na vida, concentramos nossa energia em acionar freios e cabos de tração.
Na nossa civilização, o erro foi historicamente descaracterizado. Não podemos errar porque isso nos deixa vulneráveis. Essa é uma das maiores falácias que nos ensinam: é justamente a preocupação incessante com o acerto eterno o que nos deixa vulneráveis. As probabilidades não são feitas apenas de uma via (ou não seriam probabilidades), nem sempre o caminho mais longo é o que deve ser evitado. Às vezes, esse caminho mais longo nos reserva maior qualidade.
Com os planos de vôo que nos impõem aprendemos a rapidez insana, a superficialidade embrutecedora, a redução a um ou a dois ângulos consensuais sobre quaisquer problemas, quando a ordem seria a diversidade e a liberdade de pensamento e expressão.
Até as nossas formas de lazer foram padronizadas. Ir a shoppings é obrigatório, assistir ao telejornal X é obrigatório, ter visto tal programa ou ter lido tal livro é sinal de prestígio. E para não levarmos a etiqueta de alienados, obrigamo-nos a dizer coisas com as quais interiormente não concordamos, a aplaudir coisas das quais realmente não gostamos.
Não se defende aqui a proposta de uma sociedade hedonista, fixada apenas na obtenção do prazer a qualquer custo. Isto também é redutor. Crescemos, tornamo-nos adultos e esse maravilhoso processo envolve responsabilidade, respeito e... exposição a riscos. Responsabilidade, porque a pessoa a nosso lado também tem o direito de exercitar suas próprias buscas; respeito, porque temos de entender nossas características únicas, bem como as dos outros; exposição aos riscos, porque em cada rota pode estar um imprevisto, já que vivemos em constante sócio-interação.
Não há como garantir o sucesso de nossa vida, até porque este é auferido pelo olhar viciado de uma cultura repleta de pré-julgados, de verdadeiros déjà-vu. Somos seres diferentes uns dos outros e deveríamos ter várias possibilidades de sonhos e de aerovias. Preocuparmo-nos excessivamente com a segurança de cada vôo nos faz medrosos e pouco criativos.
O planejamento para se alcançar metas é bom, e não há contradição entre essa afirmação e tudo o que foi dito acima. O que se faz aqui não é a apologia do risco pelo risco, é antes a defesa da flexibilização, a defesa de um espaço (ou de um tempo, não importa) em que possamos fazer exercício do nosso direito mais caro: tentar, experimentar, não em busca de uma recompensa externa (ela pode ser conseqüente), mas pelo prazer de aprender, pelo prazer de descobrir a unicidade de cada ser humano. E dessa forma, aprendermos a nossa relatividade de seres humanos.
Belo Horizonte, 29 de abril de 2006
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